sábado, 15 de outubro de 2011

RUBEM ALVES E A ALEGRIA DE ENSINAR...


Muito tem se falado sobre o sofrimento dos professores.Eu, que ando sempre na direção oposta, e acredito que a verdade se encontra no avesso das coisas, quero falar sobre o contrário: a alegria de ser professor, pois o sofrimento de ser um professor é semelhante ao sofrimento das dores do parto: a mãe o aceita e logo dele se esquece, pela alegria de dar à luz um filho.

(...) “Ah”, retrucarão os professores, “a felicidade não é disciplina que ensino. “Ensino ciências, ensino literatura, ensino história, ensino matemática...” Mas será que vocês não percebem que essas coisas que se chamam “disciplinas”, e que vocês devem ensinar nada mais são que taças multiformes coloridas, que devem estar cheias de alegria? Pois o que vocês ensinam não é um deleite para a alma? Se não fosse, vocês não deveriam ensinar. E se é então é preciso que aqueles que recebem, os seus alunos sintam prazer igual a que vocês sentem. Se isso não acontecer vocês terão fracassado  na sua missão, como a cozinheira que queria oferecer prazer,  mas a comida saiu salgada e queimada...
O mestre nasce da exuberância da felicidade. E, por isso o mesmo, quando perguntados sobre a sua profissão, os professores deveriam ter coragem para dar a absurda resposta. “Sou um pastor de alegria...” Mas é claro, somente os seus alunos poderão atestar a verdade da sua declaração.

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